Revista Página22 :: ed. 36 (novembro/2009)

EDIÇÃO ESPECIAL COP 15 - Eles podem salvar o mundo? Entenda como se movem os países no jogo climático global e o que faz o encontro em Copenhague tão decisivo
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EDITORIAL - Uma COP ímpar

Há pouco mais de 65 anos, 44 países do mundo se reuniam em Bretton Woods, nos EUA, em busca de uma ordem mundial capaz de restabelecer o equilíbrio do sistema monetário e de reconstruir o capitalismo em meio à Segunda Guerra Mundial – no contexto político de um mundo bipolarizado. Neste dezembro, representantes de quase 200 nações vão discutir em Copenhague, na Dinamarca, mais do que um acordo para enfrentar o aquecimento global. A 15ª Conferência das Partes sobre Mudança Climática será a oportunidade para se rediscutir o desenvolvimento dos países em uma ordem mundial ditada por limites ambientais que nunca antes haviam sido tão claros – desta vez, no contexto de um mundo multipolar.

Um novo capitalismo está para ser acordado com base no baixo carbono, o que faz as discussões sobre o clima avançarem do escopo científico para outras esferas. A contribuição da ciência tem sido vital ao indicar a participação humana no aumento da temperatura na Terra. Agora, é preciso resolver a questão no âmbito institucional, com o uso de instrumentos econômico-financeiros e a participação de toda a sociedade. O debate nesta COP 15 escancara não só os interesses econômicos e políticos que movem os países no tabuleiro do clima, como mapeia as nações que ficarão estrategicamente posicionadas em uma economia verde que está para florescer.

Diante da extrema urgência em reduzir as emissões, da capacidade decrescente dos sistemas naturais em responder aos efeitos do aquecimento e de um mundo que tenta se reerguer da crise econômico-financeira, a COP 15 assume importância ímpar. Neste Bretton Woods do clima, os equilíbrios buscados são múltiplos: entre os países emergentes, os menos e os mais desenvolvidos; entre questões econômicas e socioambientais; e entre interesses locais e globais. Definitivamente, o mundo ficou mais complexo.

Boa leitura!

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