Revista Página22 :: ed. 39 (março/2010)

AONDE VAMOS? Muda o padrão migratório no Brasil
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EDITORIAL - Para fora da caixa

O mito do crescimento bem que cabe para as cidades. Assim como a Economia Ecológica derruba a ideia de crescimento ilimitado, as grandes metrópoles brasileiras deparam-se como nunca com seus limites físicos. A ilusão da “cidade grande” desmancha-se com a fumaça desses centros que se desindustrializaram e agora precisam desenvolver novas vocações.

Uma tendência seria a de ocupar o vazio deixado pela fábrica com uma usina imaterial de ideias, conceitos, criatividade e serviços que projete as metrópoles para fora da caixa, como centro irradiador de inovação – assim como fez o próprio berço da Revolução Industrial, Londres.

Enquanto isso, as indústrias se espalham para outras praças e assim configura-se no País um padrão migratório mais descentralizado, que atrai gente para médias e pequenas cidades em diversas regiões. Esses lugares têm nas mãos a valiosa oportunidade de promover uma ocupação ordenada e mais sustentável que as grandes metrópoles não tiveram – submetidas que foram a um ritmo voraz de crescimento econômico, a partir de meados do século XX.

Há muitas lições deixadas pelo caminho mostrando o que não fazer. A Amazônia, por exemplo, vive mais um surto migratório, como sempre movido a grandes obras e ciclos econômicos de boom seguido por colapso, que atendem muito mais a interesses externos à região que aos de dentro dela.

No desenho de um tipo de ocupação que acomode bem as novas dinâmicas populacionais e atenda aos anseios de quem fica e de quem sai, é fundamental criar um planejamento de longo prazo e instituições de governança resistentes às trocas de poder. Como diz o economista André Urani, em entrevista nesta edição, não devemos ficar à espera de grandes soluções nacionais, porque as soluções são locais. Elas podem e devem ser desenvolvidas em um âmbito participativo, democrático e transparente.

Boa leitura!

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