Revista Página22 :: ed. 40 (abril/2010)

A OPÇÃO É SUA? De produtos a candidatos, as falhas, ciladas e ilusões do processo de escolha
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EDITORIAL - Abre as asas sobre nós

Ademocracia não é para impacientes, talvez à mesma razão pela qual o Brasil não é para principiantes. Entre a ideia desenvolvida pelo entrevistado desta edição, o cientista político Fernando Abrucio, e a frase do célebre Tom Jobim, pode-se entender que, nesta sociedade de passado ditatorial e patrimonial, contraditória e singular – que opera tão a seu jeito, de maneira tantas vezes questionável –, um processo de amadurecimento democrático se desenrola, gradualmente.

Nada é pra já. Para ser consistente, é preciso que a democracia avance ponto a ponto, sem reformas mágicas nem arroubos definidores. O exercício da escolha não se dá pelo “sim ou não”. Não é “isto ou aquilo”, para citar um título de Cecília Meirelles, mas talvez isto e aquilo ao mesmo tempo.

O exercício pleno da escolha, diz o filósofo e economista Amartya Sen, não é o que chega a uma conclusão unificada e definitiva de como se deve construir o bem-estar, mas aquele que dota os indivíduos de condições para exercerem suas liberdades. São elas: condições materiais mínimas para uma vida digna, educação e informação, debate irrestrito.

Neste número, Página22 contribui para tal discussão ao propor uma reflexão sobre as escolhas. Não se trata apenas da escolha nas urnas como este ano eleitoral pode supor, mas também a política na sua mais larga acepção, a econômica, a individual, a do consumidor, a do cidadão.

Considerando as ideias de Sen, em que estágio do amadurecimento democrático estamos? O quanto somos realmente livres para escolher? Que escolhas efetivas estão a nosso alcance e quais delas realmente importam? Ainda que algumas respostas sejam desanimadoras, não podemos deixar de sentir um vento fresco soprando no rosto, aquele que vem da liberdade de provocar essas perguntas.

Boa leitura!

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