Revista Página22 :: ed. 46 (outubro/2010)

BIONEGÓCIOS - Por oportunidade ou risco, movimentos do setor privado começam a aliar business e biodiversidade
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EDITORIAL - Terra rara

Às vezes é preciso olhar longe para enxergar o que está perto. E darse conta de que, apesar dos 200 bilhões de estrelas desta galáxia, a vida como a entendemos é o que existe de mais improvável. As condições para que evoluísse de forma tão complexa são praticamente únicas, mas aqui vieram a coincidir de maneira absolutamente surpreendente.

Sendo otimista, haveria no máximo uns 100 planetas como este na imensidão, ensina o astrofísico Amâncio Friaça, em artigo à página 40. Daí a expressão “Terra rara”, que dá nome a um livro referencial na Astrobiologia. A Terra é de uma probabilidade de maravilhar qualquer estatística. Não precisaria citar outra razão para conservarmos a diversidade biológica esculpida em bilhões de anos. O silêncio do astros fala por si.

Mas vale lembrar que o oxigênio livre – que torna singular a nossa atmosfera – é que promove o equilíbrio instável da vida. Em planetas desabitados, onde grassa o gás carbônico, um dia é exatamente igual ao outro: morto. Assim, lançar no ar megatoneladas de CO2 por ano, e destruir as formas de vida que liberam o oxigênio, é de uma simbologia trágica.

As Convenções do Clima e da Diversidade Biológica, criadas pelas Nações Unidas, buscam minimizar os danos que a espécie humana vem causando a esses sistemas vitais, intimamente relacionados. De 18 a 29 de outubro, em Nagoya, Japão, a 10ª Conferência das Partes vai se debruçar sobre metas ambiciosas, a fim de reverter o ritmo de perdas na biodiversidade, promover a exploração sustentável e buscar formas de repartir os benefícios desse uso. Não será tarefa fácil encontrar consensos.

A boa notícia é que cresce o engajamento do setor privado sobre essas questões, como mostra reportagem nesta edição. Isso será decisivo para que a cadeia econômica veja a si mesma como integrante de uma engrenagem maior, da qual é interdependente, e sobre a qual é capaz de exercer enorme influência e auxiliar os governos a cumprir metas. Olhar para fora e para longe ajuda a enxergar o que está ao alcance das mãos.

Boa leitura!

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