Revista Página22 :: ed. 64 (junho/2012)

ESPECIAL RIO+20 - O mundo de olho no Rio, o Rio de olho no mundo
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EDITORIAL - Problema, não. Solução

Pivô de um embate entre alas da sociedade civil e a ONU, a economia verde, um dos temas centrais da Rio+20, precisa ser vista não como problema, mas como instrumento a ser usado com inteligência em busca das soluções. Temerosos de que seja apenas uma casca para esverdear os velhos processos de sempre, sem trazer modificações de fundo, muitos veem na economia verde a representação do mal.

Sabemos que o business as usual tem levado ao colapso ambiental e à injustiça social, sem falar na crise econômica em si –mostrando a necessidade de revisões profundas no sistema. Mas, se a atual prática econômica leva a tantos problemas, que seja revista para apresentar as saídas. Este é o debate que precisa ser feito durante e após a Rio+20.

Essa mensagem é passada de forma acessível na figura do donut, ou rosquinha, criada pela organização não governamental Oxfam. Mostra o intervalo em que cabe à humanidade se desenvolver, compreendido entre as necessidades sociais básicas a serem satisfeitas e os limites ambientais a serem respeitados. A economia entra como o instrumento que tem como função distribuir da melhor maneira possível os recursos nesse intervalo (mais em Artigo à pág. 18).

Mas, como enfatiza o professor José Eli da Veiga, no meio do caminho tem uma pedra, que é a resistência em debater o combate às desigualdades, assunto que ele chega a qualificar como um tabu. Para erradicar a pobreza e promover a inclusão, o crescimento econômico será inevitável para significativa parte da população. Mas, como o planeta é finito, caberá às parcelas mais ricas do globo abrir mão do crescimento e do consumismo supérfluo – sem abandonar a prosperidade – para que os mais necessitados possam ganhar espaço ecológico, respeitando-se as fronteiras ambientais do donut.

Nesta Edição Especial de PÁGINA22, com 16 páginas a mais – e em que passamos a contar com o apoio do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS) –, mergulhe neste e em outros pontos cruciais que podem fazer da Rio+20 um marco na nossa História. Mais que um ponto de encontro, que seja um ponto de partida para encarar tantos e novos desafios.

Boa leitura!

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