Revista Página22 :: ed. 78 (setembro/2013)

LIXO ZERO - A meta é possível ao se redesenhar processos, mudar hábitos e lançar novo olhar sobre os resíduos
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EDITORIAL - O luxo de jogar lixo

Em um país onde ainda se descarta lixo nas ruas e sofás em rios, soa inimaginável um cenário de “lixo zero”, em que nada se perde, tudo se transforma e se ressignifica. Empresas e cidades citadas nesta edição de aniversário – 7 anos de PÁGINA22 e 10 anos de GVces – mostram como essa meta aparentemente utópica, inspirada na natureza, pode, sim, concretizar-se. E deve ser tomada como um norte.

Até lá, o caminho é bem longo. Implica produtos, processos e sistemas redesenhados de forma a gerar a menor quantidade possível de resíduos. Requer mudanças de hábitos e comportamento, evitando-se o desperdício, o consumo supérfluo e incentivando-se o reaproveitamento. E, nos casos em que recusar, reduzir e reutilizar não for mesmo viável, que reciclar seja a próxima etapa a ser perseguida.

Somente em último caso um resíduo deve ser descartado em aterros, pois não é demais lembrar que, do “lixo” com que erguemos verdadeiras montanhas, a maior parte é potencial matéria-prima de um novo produto. Deixar de aproveitá-la – ou, ainda, incinerá-la – em um planeta de recursos finitos obviamente não faz o menor sentido. É um luxo inadmissível.

O redesenho que se pede inclui mecanismos tributários e de mercado que punam o poluidor e premiem aqueles que prestam serviços ambientais. Aplicado a instrumentos de comando como a Política Nacional de Resíduos Sólidos, farão com que a redução e a reciclagem de resíduos sejam objetivos naturalmente perseguidos pelos agentes econômicos.

E contribuirão para estimular o novo olhar que é fundamental para transformar uma realidade nada edificante para a espécie humana, a única que gera lixo. Como mostramos na reportagem de capa, a ideia de lixo é impraticável na natureza: esta não permitiria que algo perdesse a finalidade e ficasse depositado em um canto qualquer.

Boa leitura!

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